Produção de ônibus cresce, mas vendas acumulam expressiva queda

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Apesar de reação, mercado ainda tem cautela

Por Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Ônibus da Iveco. Licenciamentos da marca subiram 94,8%
Mais ônibus estão sendo produzidos neste ano, no entanto, ainda o número de emplacamentos não acompanhou esta alta.

É o que revela balanço divulgado nesta sexta-feira, 4 de agosto de 2017, pela Anfavea -Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Pertencente ao setor de comerciais pesados, o segmento de ônibus também auxilia a entender o nível de investimento de outras atividades econômicas. Se há maior produção e comercialização em outros setores, surge a necessidade de transporte de mão de obra, ampliando assim a venda de ônibus novos para atender à demanda maior.

Por enquanto, não é isso que tem ocorrido, mas já há uma sinalização positiva, embora que o momento é ainda visto com cautela pelo mercado.

Entre janeiro e julho deste ano, houve crescimento de 12,9% na produção. No período de 2016, foram feitos 10.874 chassis de ônibus e, neste ano, 12.273

O segmento de ônibus urbanos registrou a elevação mais expressiva, 15,9% entre janeiro e julho deste ano e o mesmo período do ano passado. Em 2016, nos primeiros meses, foram feitos 7.896 chassis para o segmento e, neste ano, 9.149,

A produção de ônibus rodoviários registrou alta, de acordo com a Anfavea, de 4,9% no acumulado do ano. Entre janeiro e julho de 2016, foram feitos 2.978 chassis rodoviários e no mesmo período deste ano 3.124

Os resultados poderiam ter sido melhores, principalmente no segmento de ônibus urbanos, caso o Refrota 17, o programa do Governo Federal que conta com R$ 3 bilhões de recursos do FGTS para renovação de veículos desta configuração, não ficasse até agora na conversa.

O Governo Federal noticiou o Refrota em dezembro de 2017.  Em janeiro deste ano fez o lançamento oficial. Somente em 12 de junho é que saiu o primeiro, e até agora, o único financiamento. O pior, com problemas.

O Diário do Transporte noticiou com exclusividade nesta quinta-feira, 03 de agosto, que uma cláusula pouco esclarecida do Refrota atrela o financiamento à quantidade de ônibus estipulada no momento da adesão e não à quantidade que os recursos podem comprar.

O Refrotra demorou muito para sair e, no período entre a solicitação da empresa Suzantur de Mauá e a liberação do recurso de fato, houve aumento nos preços dos chassis e carrocerias. Agora não será possível comprar todos os 100 ônibus previstos. A empresa terá procurar outros recursos porque a cláusula da Caixa Econômica Federal engessa a possibilidade de alterar o total da frota, de acordo com a variação dos preços de mercado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/03/exclusivo-regra-oculta-do-refrota-pode-desestimular-renovacao-de-onibus-dizem-empresarios/

VENDAS FRACAS:

O total de licenciamentos de ônibus ainda não sentiu esta elevação no nível de produção, mas de acordo com as características do mercado, a alta na fabricação de ônibus vai significar, dentro de alguns meses, crescimento também no número de emplacamentos. Isso porque, diferentemente dos carros que são produzidos e faturados completos, inicialmente, se compra o chassi do ônibus para depois encarroçá-lo sob encomenda. Este processo demora de 2 a 4 meses.

Segundo balanço da Anfavea, houve queda de 16,9% nos licenciamentos de ônibus entre janeiro e julho deste ano em comparação com o mesmo período de 2016.

No acumulado do ano, a Mercedes-Benz lidera, mas somente Iveco e Scania tiveram alta de emplacamentos, com 94,8% e 86,5%, respectivamente, em relação ao período de janeiro a julho do ano passado.

1º) Mercedes-Benz:  2.914 ônibus emplacados, queda acumulada de 28,9 %

2º)MAN Volkswagen: 1094 ônibus emplacados, queda acumulada de 8,9 %

3º) Iveco: 789 ônibus emplacados, alta acumulada de 94,8 %

4º) Agrale (inclui minonibus Volare): 770 ônibus emplacados, baixa acumulada de 28 %

5º) Scania: 289 ônibus emplacados, alta acumulada de 86,5 %

6º) Volvo: 180 ônibus emplacados, baixa acumulada de 58,7%

Fonte: Diário do Transporte

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